O feminino em cheque

Falar sobre masculino e feminino, nos dias de hoje, acabam sempre levando a confusões e desentendimentos a respeito de gênero. Porém não é nesse sentido que trago estes conceitos à tona, pelo menos não agora.  Quero tratar do feminino como princípio e não como mulher.
O princípio feminino, representado pelo cuidado, o amparo, atenção, carinho e por tantas outras coisas que o materno traz em si, e que nada tem de mulher ou homem. Ambos possuem em si a potencialidade de vivenciar o masculino e o feminino.  Mas voltando ao feminino, estamos em um momento em que se fala do câncer de mama, sua prevenção e cuidados.
O câncer de mama, assim como câncer de útero, que são órgãos que carregam em si características do feminino como princípio (o útero como o lugar onde o bebê, indefeso, necessitado de cuidados, de amparo para seu desenvolvimento físico, no qual a mãe vivencia em si mesma o local de segurança de seu filho e as mamas como o local onde o bebê, no colo materno, se alimenta, é cuidado, e tem a atenção dirigida para si), em contraste com uma sociedade predominantemente patriarcal e regida pelo masculino me chama a atenção como, talvez, um pedido de socorro do feminino, soterrado por tanta masculinidade.
Chama-me a atenção mais ainda pensar que a melhor forma de prevenção ao câncer de mama é a mulher vivenciar o feminino consigo mesma, por meio do cuidado, da atenção com o corpo, do amparo e do carinho. Ou não seriam estes os atributos de um auto-exame? Mas com altas rotinas de trabalho, reuniões, crossfit, estudo, inglês, sucos detox, noites de pouco sono e pouco ou nenhum tempo para os filhos, que são terceirizados a escolas trilíngues e babás carissimas, quem teria tempo e disposição para parar na frente do espelho e se tocar com cuidado, atenção, calma, carinho? Isso é quase inadmissível para algumas.
A questão não é que a mulher não deva assumir essas posições sociais, até pelo motivo de que elas DEVEM SIM, mas principalmente que homens e mulheres permitam a si mesmos transitarem entre os princípios masculinos e femininos do humano. Mulher não foi feita para esquentar a barriga no fogão e homem não foi feito para enfrentar as loucuras do mundo corporativo, não sozinhos, eles precisam um do outro.
Acontece que me parece que o câncer de mama, num sentido social, se reflete no seguinte: uma sociedade mastectomizada, talvez pela própria espada do masculino, na qual não se há empatia, não se há cuidado, segurança e nem amparo. Este adoecimento não é só de mulheres, nem de homens, é de todos.
 

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