Ser alguém e não ser si-mesmo

Particularmente, eu adoro a Mafalda. As sacadas do Quino para as reflexões da baixinha, muitas vezes, dão pano pra manga e são pérolas de filosofia, psicologia e sociologia.
Em particular, quando me lembro dessa frase dos quadrinhos, penso no quanto é, muitas vezes, doloroso sermos nós mesmos. Reflito: Será que sabemos ser nós mesmos? Veja bem, nascemos, aprendemos quem somos, de onde viemos (família e cultura), a que viemos, o que a sociedade espera de nós, o que nossos pais esperam de nós, o que esperam que nossos pais esperem de nós e por aí vai.
Acabamos, por assim dizer, descobrindo quem devemos ser. O menino não pode isso, a menina não pode aquilo. O adolescente menino não pode ser virgem, a adolescente menina precisa se guardar até o casamento. O homem não pode usar rosa, a mulher não pode ser executiva. Infelizmente, apesar de todo o avanço em relação a liberdade de gêneros e suas expressões, ainda temos impregnado no nosso inconsciente o que cada um deve fazer ou não, nestes aspectos.
E naquela família onde todos são advogados, ou médicos, ou professores? Lascou! Para ser alguém na vida, é essa a profissão que tem que seguir. Ninguém pode, nem quer, ser a ovelha negra. Ah, e quando a escolha da profissão está chegando, tem também o fator "dinheiro". "Apoio qualquer que seja sua escolha, desde que te traga muito dinheiro", ainda é o conselho de muitos aos seus filhos.
"Família? Só se for entre um homem e uma mulher." "Dois homens?" "Não pode!" "Duas mulheres?" "Muito menos. Onde já se viu, a mulher, se rebaixando a tal sacanagem?" "Família só com um pai ou só com uma mãe? Nananinanão, Deus fez o casal, não há de ser diferente!", dizem por aí.
A verdade é que, numa lógica binária de certo-errado, muitas normas acabam sendo assim: ditam padrões, formas que grande parte das vezes só favorecem alguns indivíduos, por um olhar egoísta e simplesmente desprovido de sentimentos (e por que não de sentido?). Quem garante o que é certo? Quem garante que eu sou, de fato, tudo o que eu preciso ser?
Se "justo a mim me coube ser eu", ninguém pode, de fato, lhe dizer que rumo tomar em sua vida. Claro, muitas das orientações que temos ao longo da vida vão nos mostrando o quão diversos podem ser nossos caminhos, que escolhas tomar, que vestimentas usar para se apresentar. Mas sinceramente? Quando deixamos de ouvir tanto o outro com seus pitacos, e ouvimos os anseios e "pitacos" de nós mesmos... Ah! Aí então não há peso nenhum em "ser eu"!
Invista no seu autoconhecimento, ouça os seus próprios anseios, desejos: Faça terapia! 

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